Isto passou-se na segunda semana em que estava aqui na Jamaica.
Um colega meu do centro de mergulho (Jeremy) convidou-me para ir com ele e com um Jamaicano (Gregory), que trabalha no mesmo resort que nós como nadador salvador, a uma festa de dancehall num bar na praia, a 45 minutos de onde eu vivo. Ambos tinham o dia seguinte de folga e eu não, mas como eu queria muito experimentar uma festa tipicamente Jamaicana, aceitei mesmo que tivesse de dormir 2 horas ou ir de directa para o trabalho no dia seguinte . Afinal só se vive uma vez :)
Alugámos um carro e o Gregory ofereceu-se para conduzir, visto que ele é que conhecia o sitio e os caminhos para lá chegar. O Gregory disse-nos tinha 3 "amigas" que iriam connosco e que nós as iriamos buscar para irem connosco à festa. O objectivo do Gregory era ir para a cama com uma delas e queria que eu e o Jeremy ficássemos com as outras duas.
Devíamos ir buscá-las a outra festa num bar ao pé da minha casa, mas quando lá chegámos os seguranças pediram-nos dinheiro para entrar e mudámos de ideias. Então o Gregory telefonou às amigas que estavam nessa festa e disse-lhes que afinal não íamos ter com elas. Mas não havia problema, ele conhecia outras 2 "amigas" e telefonou-lhes.
Partimos para casa das outras amigas dele por volta das 23:00h e demorámos cerca de 45 minutos a lá chegar e durante a viagem o Gregory fez questão de passar alguns dos hits de dancehall da moda no carro em altos berros. Quando lá chegámos elas ainda não estavam prontas porque ainda estavam a preparar-se para sair utilizando uns 20 produtos de beleza diferentes.
A casa delas ficava numa bairro de vivendas mal construídas com as aspecto manhoso, estradas em terra batida e esburacadas, sem pessoas na rua de noite. Mesmo assim, era provavelmente dos bairros com melhor aspecto da zona e com boa pinta para o padrão normal da Jamaica. A casa delas estava mobilada com móveis muito antigos e cheirava a mofo. Dentro de casa em vez de haver portas a separar as divisões, havia tecidos pendurados. Além delas, estavam presentes uma amiga delas (ou será que era irmã/prima) e uma criança pequena, mas não percebi de quem era e também não quis perguntar. A amiga delas estava deitada de pijama no sofá e não queria sair connosco. O Gregory ainda tentou convencê-la a ir connosco, tentando durante 20 minutos seduzi-la com "conversa de bandido", mas não conseguiu.
Enquanto esperávamos por elas, decidimos ir beber uma cerveja a uma café/bar na zona. Acabámos a jogar dominó com a dona do café/bar que devia ter uns 30 anos e era originária de Londres (apesar de ter pais Jamaicanos). Tinha vindo para a Jamaica há 2 anos atrás para abrir vários negócios próprios, e notava-se que tinha uma educação acima da média para a Jamaica. Ela disse-nos que a melhor festa naquela noite não era a da praia onde o Gregory queria ir, mas sim uma ao pé de um rio no meio de uma floresta. Decidimos seguir a dica dela.
Voltámos a casa das amigas dele e as duas entraram no carro. Mas ainda faltava uma terceira que vivia algures nas redondezas e que iríamos buscar a seguir. Já eram 0:45h e festa nem vê-la. Passado uns 10 minutos, entrámos com o carro numa espécie de pantanal que parecia uma daquelas florestas tropicais que se vêm nos filmes sobre o Vietnam: Estradas em terra batida; lama; vegetação tropical densa; quase nenhuma iluminação e meia duzia de barracas pela caminho. E eu só pensava "onde é que me estão a levar??", mas não quis perguntar para não criar mau ambiente. De repente parámos em frente a uma barraca no meio da vegetação e saiu de lá a tal amiga que faltava. Então seguimos os 6 para a tal festa na floresta que a tipa do café/bar nos tinha falado.
· Festa na floresta
Chegámos por volta da 1:15h. A festa ficava literalmente no meio de uma floresta onde havia um bar construído em madeira. O Bar ficava numa elevação, e para se lá chegar havia uma extensa escadaria. A festa estava a abarrotar de gente, e a multidão começava no bar, descia pela escadaria e estendia-se num raio de vários metros à volta da escadaria. Colunas gigantes umas em cima das outras bombeavam singles de dancehall ligeiramente modificados pelo DJ (com distorções, acelerações e samples por cima).
No entanto, ao contrário do que eu estava à espera, as músicas não passavam do principio ao ao fim. Apenas eram passados 30 segundos de uma das partes da canção e acabados os 30 segundos, o DJ passava imediatamente para outro single completamente diferente e por aí em diante. A cada mudança de música a multidão reagia em êxtase como se a nova música fosse ainda melhor que a anterior, sendo que o DJ tentava aumentar o êxtase da multidão a cada passagem de música.
Outro facto curioso relativamente à música, o DJ era também MC (master of cerimonies), o que neste caso significou que ele falava por cima das músicas que ia passando. Ou melhor, grunhia palavras como um suiço a ser esfaqueado na matança do porco (e não estou a exagerar).
Em baixo está um link para um video para dar uma ideia do que é uma festa de dancehall. Obviamente que o clip é uma versão exagerada de uma festa normal de dancehall pois as pessoas estão a exibir-se para a câmara, mas dá uma ideia da música que passa e de o ambiente surreal que pode ter:
Para completar o ambiente, uma iluminação péssima (excepto dentro do bar), carros a passar no meio da multidão à procura de estacionamento e um cheiro intenso a marijuana em quase todos os cantos. Devia haver meia dúzia de brancos na festa incluindo eu e o Jeremy.
Subimos a escadaria até ao bar para buscar bebidas e o Gregory pediu-nos dinheiro para pagarmos uma rodada às amigas dele. Foi aí que eu percebi que nós iríamos financiar a noite das "princesas". O Gregory não se importava com a situação e já sabia que ia ser assim, até porque queria embebedá-las para ver se facturava nessa noite. Eu e o Jeremy não ficámos muito contentes com a situação, mas como não sabíamos como é que as coisas funcionam na Jamaica alinhámos e pagámos as bebidas delas além das nossas, juntamente com o Gregory, durante o resto da noite.
Arranjámos o nosso cantinho para dançar fora do centro da multidão e o Gregory andava todo feliz a roçar-se no rabo de cada uma delas e a incentivar-nos a fazer o mesmo. Nós seguimos o exemplo e eu só olhava à minha volta e pensava no quão surreal tudo aquilo era. Uma mistura de sentimentos passou pela minha cabeça: por um lado sensações de desconforto por me sentir um extraterrestre naquele meio, e por outro lado sentimentos de excitação por estar a viver uma experiência completamente nova e tipicamente Jamaicana que o turista normal não experimenta.
Passado uma hora, depois de algumas bebidas (rum misturado com bebidas energéticas), muita estupefacção e muito roçar no rabo das amigas dele, decidimos ir para a outra festa que era na praia.
· Festa na praia
O caminho para a festa na praia foi animado. Nos bancos da frente do carro estavam o Gregory e o Jeremy. Eu estava no banco de trás com as 3 amigasdo Gregory já bem animadas devido ao álcool. Até que o Gregory põe aos altos berros no carro um single de de dancehall chamado "Bycicle", cujo o refrão traduzido é algo como "Monta o meu c****** como se fosse uma bicicleta". E enquanto a música passa, uma das amigas dele senta-se com o rabo no meu colo enquanto dança ao som da música. Em baixo está o link para a música:
Chegámos à tal festa na praia por volta das 2:30h da manhã. Aqui apenas eu e o Jeremy éramos brancos e a zona da festa parecia um daqueles campos de futebol em terra batida que há nas vilas do interior de Portugal. No terreno estavam montadas umas barracas onde se vendiam bebidas e comida. Para compensar, a festa ficava em frente à praia, e a maioria das pessoas estava a dançar no areal. Um céu completamente estrelado compunha o ambiente.
Mais uma vez, o mesmo tipo de som com o suíno a grunhir por cima e passagens de música a cada 30 segundos. No areal, e no meio da multidão dançante, passava um tipo que vendia pacotinhos de erva e que os apregoava a toda a gente. Era o equivalente Jamaicano aos tipos que vendem as latas de cerveja no meio da multidão nos concertos em Portugal.
Por volta das 3:30 da manhã eu estava completamente exausto, era a minha segunda semana na Jamaica e a primeira vez que estava a sair à noite. Estava ainda com jet lag e por isso para o meu cérebro já eram 8:30h da manhã (hora portuguesa) e eu nesse dia tinha acordado às 6:30h da manhã para trabalhar. Além disso já estava farto da festa, a música era uma treta, as amigas do Gregory eram feias e estava a ajudar a financiar as bebidas delas contra a minha vontade.
O Jeremy também estava farto mas não tão cansado como eu. O Gregory nem cansado, nem farto e ainda queria cumprir o seu objectivo inicial de levar uma delas para a cama. No entanto não cheguei a perceber qual delas ele queria, pois ele fez-se às 3 em alturas diferentes da noite.
Então convenci o Jeremy a irmos embora e fomos falar com o Gregory, pois tínhamos de ir embora todos no mesmo carro. O Gregory ficou lixado pois tinha gasto uma pipa de massa com o aluguer do carro e com as bebidas para as amigas e ainda não tinha "facturado". Mas visto que éramos 2 contra 1 lá acedeu. As "princesas" queriam ficar na festa, e a pedido do Gregory, ainda deixámos dinheiro para o taxi delas. Nunca o roçar no rabo de uma mulher me saiu tão caro como naquela noite.
Deixámos a festa lá para as 4 da manhã e eu fui a dormir o caminho todo para casa no banco de trás. Deitei-me por volta das 5:00h da manhã e às 6:30h já estava de pé para ir trabalhar como um zombie.
Tentei tirar fotos e fazer vídeos com o meu telemóvel para colocar aqui, mas com a fraca iluminação de ambas as festas ficou péssimo e não se vê praticamente nada :(
Oh pá: a música é péssima e as tipas são feias... tudo bem!
ResponderEliminarSó não entendo AS PALMADAS NO PIPI!! :O
A sério, o que é isso?
Não percebes o Dancehall! hehe
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